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sexta-feira, 5 de junho de 2015

RENETIL – NOVA LIDERANÇA… NOVA MÍSTICA

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo
Prémio Nobel da Paz 1996
O nome da Renetil (Resistência Nacional de Estudantes de Timor-Leste) ficou a ser mais conhecido em várias latitudes do planeta pela publicação do livro [RENETIL iha Luta Libertasuan Timor Loro Sa’e, Antes Sem Título do que Sem Pátia, de Carlos da Silva Saky] e, sobretudo pela morte do seu líder, Fernanda La Sama de Araújo. Passados que foram os dias de tristeza e de luto, os membros desta Associação patriótica irão escolher os novos dirigentes que, certamente, irão continuar a consolidar e renovar os quadros e ao mesmo tempo traçar novas estratégias para manter sempre atual a Renetil.

Todos nós sabemos que durante a ocupação das Forças Armadas Indonésias, a Renetil soube alimentar a chama do patriotismo nacionalista da juventude timorense e mobilizar o idealismo juvenil para uma continuada resistência aos ocupantes.

Hoje, Timor-Leste é um país independente; a independência reconhecida internacionalmente, a 20 de maio de 2002. E já la vão treze anos de independência… A despeito de todos os esforços para construir o país do “sol nascente” na justiça social, na igualdade de oportunidades para todos os timorenses, na convivência num clima de paz, de reconciliação e de  desenvolvimento, a República Democrática de Timor-Leste enfrenta problemas que exigem mais atenção da parte de todos. E aqui, os membros da Renetil devem assumir mais protagonismo no desenvolvimento integral do povo timorense.

Se no passado, os “lorico asuwa’in” foram corajosos em opor resistência aos invasores, hoje devem demonstrar a mesma coragem em opôr forte resistência à corrupção, ao nepotismo e à degradação dos valores morais na sociedade timorense.

A corrupção concorre para aumentar o nível de pobreza em Timor-Leste;  a pobreza coloca um dramático problema de justiça nas suas diferentes formas e caracteriza-se  por um crescimento desigual entre as populações. A corrupção e a má gestão dos dinheiros públicos aumentam a dívida de países pobres; a corrupção trai os princípios da moral, e as normas da justiça social e compromete o correcto funcionamento do sistema democrático e do próprio Estado. “A corrupção politica distorce na raiz a função das instituições representativas, porque as usa como terrenos de nogociata política entre solicitações clientelares e favores dos governantes. Deste modo, as opções políticas favorecem os objectivos restritos de quantos possuem os meios para influenciá-las e impedem a realização do bem comum de todos os cidadãos” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 411).


Fernando La Sama com a Bandeira da RENETIL
Foto@Renetil
A sede da riqueza e da fama conduzem muitas vezes ao desprezo de normas que dizem respeito ao matrimónio e à família, “O amor é vocação fundamental e inata de todo o ser humanos” (Familiaris Consortio, n.º 11).  Porém, há situações que tendem a tornar-se “uma coisa normal” em Timor-Leste. Ocorrem adultérios, divórcios, poligamia, união livre que são ofensa grave à dignidade do matrimónio e à família. E a população timorense espera que os políticos e líderes partidários sejam os primeiros a darem exemplo de honestidade, de solidariedade, de disciplina e de sacrifico e de dedicação. 
Muitos ou todos os membros da Renetil são cristãos. Se cristão significa ser um estilo novo de ser homem com uma nova maneira de estar na sociedade e de olhar a vida e o homem. “Por ser cristão, ele sabe que no centro da sua fé está o mandamento do amor e que Deus se identificou de tal maneira com os homens que o que fazemos por eles e por cada um deles Deus o recebe como feito por a Si próprio” (Américo Veiga, A Educação hoje, p. 360). 
Louvamos e apoiamos aqueles que militam na Renetil, nos partidos políticos e no governo. Como remate deste nosso humilde apelo aos quadros da Renetil, seja-nos permitido citar as sábias recomendações do Concilio Vaticano II: 
“Os partidos políticos devem promover o que julgam ser exigido pelo bem comum, sem que jamais seja lícito antepor o próprio interesse ao bem comum. Deve atender-se cuidadosamente à educação cívica e política, hoje tão necessária à população e sobretudo aos jovens, para que todos os cidadãos possam participar na vida da comunidade política. Os que são ou podem tornar-se aptos para exercer a difícil e muito nobre arte politica , preparem-se para ela; e procurem exercê-la sem pensar nos interesses próprios ou em vantagens materiais. Procedam com inteireza e prudência contra a injustiça e a opressão, contra o arbitrário domínio de uma pessoa ou de um partido, e contra a intolerância. E dediquem-se com sinceridade e equidade, mais ainda, com caridade e fortaleza politica, ao bem de todos” (GS, n. 75). 
A todos os que militam na Renetil e aos seus simpatizantes, desejo muitas felicidades e muito entusiasmo para imprimir um novo espírito e um novo rumo à esta nobre organização estudantil e universitária. 
Porto, 5 de junho de 2015. 
Dom Carlos Filipe Ximenes Belo 
Prémio Nobel da Paz 1996.

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