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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Prof. Antonio Barbedo de Magalhães "Homenagem a Fernando Lasama de Araújo"

Prof. Antonio Barbedo de Magalhães
"Homenagem a Fernando Lasama de Araújo"
Homenagem a Fernando Lasama de Araújo

2015.06.02

A criação da Renetil (Resistência Nacional dos Estudantes de Timor –Leste), e a proclamação da Insurreição Geral Política dos Estudantes de Timor-Leste, em 20 de Junho de 1988, por dez estudantes timorenses na Indonésia, liderados por Fernando La’sama de Araújo, foi um passo de gigante na luta do Povo de Timor-Leste pela sua dignidade, autodeterminação e independência. O papel desta organização e dos seus militantes foi crucial para o desenvolvimento geral da luta de libertação, nomeadamente, para dar força à estratégia nacionalista suprapartidária que Xanana Gusmão lhe imprimiu e encarnou no final desse ano de 1988, que tantas críticas suscitou, estratégia tão importante que foi fundamental manter e reforçar para conquistar a participação e os apoios internos e internacionais imprescindíveis para alcançar os objetivos da luta.

O papel da Renetil foi também crucial para desenvolver a consciência política e a solidariedade de um número sempre crescente de estudantes indonésios, fundamental para a queda do regime ditatorial do General Suharto, que abriria, finalmente, as portas a uma solução política através do Referendo de 30 de Agosto de 1999.

Da humildade do estudo de cada estudante para poder, com maior conhecimento, trabalhar para a reconstrução da sua Pátria no futuro, sempre a pensar mais na Pátria do que nos títulos académicos, passando pelo serviço de transmissores de mensagens de Timor-Leste e da Indonésia para o exterior e em sentido inverso, à organização de manifestações e gestos heróicos de grande impacto mediático, em tudo isto e em muitas outras coisas a Renetil tornou-se, a partir da sua criação em 1988, uma componente essencial da luta e uma escola de patriotas.
Lasama foi o líder de excecional visão, determinação, coragem, coerência e abnegação que dirigiu a Renetil na sua trajetória firme, no meio das incertezas e dos perigos e dores constantes da repressão. Sacrificou-se para proteger os seus companheiros e, sobretudo, para assegurar a continuação e o sucesso da luta. 
Foi, para mim, uma enorme honra ter tido a oportunidade de também dar um pequeno contributo para o êxito da sua luta, da luta do Povo de Timor-Leste pela sua libertação e independência, e sinto-me pequeno perante este e outros gigantes da Resistência Timorense, a quem presto homenagem nesta homenagem ao grande Herói da Resistência Timorense Fernando Lasama de Araújo. 
Ao partir para uma vida outra, em que também eu acredito, sinto a dor da perda desse amigo tão sensível e tão excecionalmente generoso e bom, a cuja amizade e ternura era impossível ficar indiferente, que está indelevelmente gravado na minha inteligência e no meu coração. 
Para a família do Fernando Lasama de Araújo, nomeadamente para o filho e para a Jacqueline, sua mãe e amiga e companheira de tantos anos do Fernando La’Sama, desde os tempos da prisão, para todos os companheiros da Renetil, irmãos forjados na luta pelo seu Povo e também para os companheiros do Partido Democrático (PD) que o Lasama também criou e dirigiu e a todos os timorenses, o meu abraço fraterno com a expressão da minha maior admiração e amizade e os votos de que o exemplo de Lasama continue a ser uma inspiração para a construção do futuro de Timor-Leste. 
Irmanado na dor pela perda sofrida e na esperança a que o exemplo do La’Sama dá força, a todos abraço. 
António Barbedo de Magalhães
Porto, 4 de Junho de 2015

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