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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A GUERRA DE MANUFHAI (Continuação)

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo

Não foi um mero acaso que os homens de Dom Boaventura mataram o comandante de Same. A morte do Tenente Luís Silva teve precedentes de certa gravidade. Ele era um ríspido que chegou a esbofetear o irmão de Dom Boaventura, o dato Dom Vicente, irmão do régulo. Uma fonte holandesa diz que o oficial português tinha violado a liurai feto, mulher do liurai de Manufahi.

Depois dos incidentes ocorridos na tranqueira de Same no dia 24 e 25 de Dezembro de 1911, o governo português prevendo levantamento dos reinos entrou em preparativos para mais uma campanha contra Manufahi.

Naturalmente do lado dos combatentes de Manufahi já havia muito que os preparativos para a revolta estavam planeados: contacto com os liurais de Raimean, Bubuçuço, Bobonaro, Deribate, etc. Os homens estavam armados com algumas armas de fogo e sobretudo com as chamadas armas brancas: diman (azagaia), surik, catana, flechas, parões, facas, aidona (moca, cacete) etc. Tinham também construído fortificações de defesa nos contrafortes da montanha de Cablac e nas florestas das redondezas de Same. Os locais de guerra mais importantes dos rebeldes timorenses eram as colinas de Riac e de Leo Laco.

Segundo o governador Filomeno da Câmara essa colina estava coberta de densa floresta. Para ali tinham afluído famílias inteiras; e para ali tinham transportado comida, animais.

O professor Réné Pélisser fala dum número que ronda os cinco mil homens. Os portugueses calculam em 8.000 pessoas, entre as quais 3.000 combatentes.

O acampamento dos “revoltosos” de Manufahi estava cheio de trincheiras-abrigo. Os caminhos estavam barrados com sebes de bambu aguçado (luto).

O acontecimento de Same abalou profundamente a população de Praça de Dili. Em 1911, a capital da Colónia não tinha soldados da 1ª linha em número suficiente para defender a cidade. Nesse ano as forças em Timor eram constituídas por 75 soldados moçambicanos, alguns europeus (sargentos, cabos e soldados de artilharia, num total de 40 homens. Para a segurança da praça de Dili foram mobilizados nesse período moradores de Lacló, Manatuto, Piço. O número dos moradores andaria por uns 1.500 homens. O armamento era a espingarda de pederneira, e a Remington, alem da catana e de azagaias. Havia ainda um esquadrão de cavalaria do reino de Batugadé.

A morte do comandante de Same Luís Álvares foi dada a conhecer ao tenente António Joaquim de Almeida Valente, comandante do posto militar de Hatolia, pelo missionário de Suro. Na noite do dia 24 de 1911, o tenente leva ao conhecimento do Governador os acontecimentos de Same. No dia 28 de Dezembro de 1911, os homens de Manufahi e de Raimean atacavam o reino de Suro. Mas o ataque foi repelido pelos homens do liurai de Suro Nai-Cau.

No dia 29 de Dezembro o tenente Almeida Valente parte de Hatolia com 800 homens doas arrais de Mahubo e Deribate, chegando a Suro no dia 30. Os “manufaístas” retiram-se para as suas terras, mas deixam para trás os seus aliados de Bobonaro que devastam o suco de Mau-Ulo.

Conta Jaime Inso, comandante da Canhoeira Pátria, era grande a ansiedade em Díli. Perante as notícias de um assalto à praça de Díli, reuniu-se o conselho de oficiais que debateram duas possibilidades: ir em socorro da vila de Aileu ou defender Díli. O Governador Filomeno da Câmara resolveu ir em socorro de Aileu. Para isso organizou rapidamente uma coluna. A 12 de Janeiro de 1912, marchou para Aileu uma força composta por 200 homens, dos quais uns 25 eram brancos (malae), entre militares e reformados; os restantes eram moradores. Estes moradores eram das companhias de Bidau e Sica (na zona da actual Colmera), sob o comando de Liurai de Motael António Ataíde e do Alferes Garcia. Deram-se os recontros entre as forças governamentais e “rebeldes”. Os manufaístas conseguiram repelir por duas vezes. Mas depois de um terceiro recontro, os homens de Dom Boaventura retiram-se para o monte Cablac.

Entretanto o governador Filomeno da Câmara estabelece uma estratégia de guerra para dominar a região de Manufahi. As operações começariam em Janeiro de 1912 e durariam até o mês de Outubro.

Porto, 3 de Janeiro de 2012

Exclusivo Forum-Haksesuk

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