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TIMOR-LESTE
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

AS ELEIÇÕES DE 2012 EM TIMOR-LESTE E A NECESSIDADE DA PRESERVAÇÃO DA PAZ

No ano de 2012 realizar-se-ão em Timor-Leste as eleições presidenciais e legislativas. Para que essas eleições sejam justas, é indispensável que elas decorrem num clima de paz e de tranquilidade. Para que haja paz e tranquilidade nas aldeias, vilas e em todo o país, é necessário que os Timorenses se eduquem para a paz, para a democracia, para o diálogo e vivam numa cultura de paz.

Mas o que é a paz? Em Tétum a paz diz-se “dame”, em Bahasa Indonésia “kedamaian”, em Português paz. A palavra portuguesa “paz”, a espanhola “paz”, a italiana “pace”, a francesa “paix” e a inglesa “peace”, provém da palavra latina “Pax, pacis”. O termo pax, pacis com o dativo pacem, corresponde ao termo hebraico shalom, palavra que deriva da raiz “shelemut” e, significa perfeição, plenitude.

No Império Romano o conceito de Pax indicava o período em que a nível interno, não havia lutas, nem conflitos nem guerras civis. Pelo contrário predominava uma ordem geral de ordem, de tranquilidade. Essa ordem geral chamava-se “Pax Romana”. Ligado ao conceito da paz, os romanos cultivavam outros conceitos abstractos, como concordia (concórdia), honor (honra), fides (fé), virtus (virtude), victoria (vitória).

No contexto judaico-cristão, ao termo Shalom existem termos associados como harmonia, tranquilidade, felicidade, prosperidade, bem-estar, graça. Shalom significa ainda bênção, manifestação da graça divina, justiça, verdade. No livro do profeta Isaías a “paz é fruto da justiça” (Is. 32,17). Segundo o mesmo Profeta “Deus é Príncipe da Paz messiánica (Is. 9, 5).

Nos Evangelhos, a palavra paz ocorre em várias passagens. Na noite em que nascia o menino Jesus, os Anjos cantavam: “Gloria a Deus nas alturas e paz aos homens de boa vontade”(Lc 2,14s); Depois da sua Ressurreição, Nosso senhor Jesus Cristo dirige palavras de paz aos seus discípulos: “ A paz seja convosco” (Jo. 21, 19 e 21); “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz” (14,27). São Paulo afirma que a verdadeira paz é o pessoa de Jesus Cristo: “Ele é a nossa Paz” (Ef.2, 14).

Os Padres da Igreja nas suas catequeses insistiam muito a paz, a ordem, a tranquilidade, a justiça e o amor ao próximo. Santo Agostinho, bispo de Hipona (séc. IV), no norte da África, dizia que a paz é a “tranquilidade na ordem”.

No século XX, depois das duas Grandes Guerras Mundiais (1914-1918) e (1939-1945) As Nações Unidas publicaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). Logo no Preâmbulo se pode ler: “Considerando que o reconhecimento d dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.”

Ainda no século passado a Igreja Católica quer através dos Documentos do Concílio Vaticano II quer através do magistério dos Papas (João XXIII, Paulo VI e João Paulo II) tem repetido em várias ocasiões que questão da Paz é fundamental para a vida dos homens e do planeta.
O Concílio Vaticano II afiram que a paz não é só a ausência da guerra e nem se reduz ao estabelecimento de equilíbrio entre forças adversas (cfr. GS, n. 78). Para se edificar a paz é necessária a vontade firme de respeitar a dignidade dos outros homens, outros povos e, portanto, é necessária a prática da fraternidade.

Segundo o Papa Paulo VI (1963-1978) o novo nome da paz é desenvolvimento. Porém, não se trata apenas de um desenvolvimento económico, mas um desenvolvimento autêntico que visa promover todos os homens e o homem todo. Nesta perspectiva, a paz significa a erradicação de injustiças e desigualdades de ordem económica ou social; erradicação de invejas, de desconfiança e do orgulho que grassam entre os homens e as nações e que são uma constante ameaça a paz (cf. a Carta Encíclica Populorum Progressio, n. 5, n. 13, etc.).

O antecessor de Paulo VI, o Papa João XXIII (1958-1963), escreveu a Encíclica Pacem in Terris. Na perspectiva do Papa, “as mútuas relações internacionais devem regular-se não pelo recurso à força das armas, mas pela norma da recta razão, isto é, na base da verdade, da justiça e de uma activa solidariedade.” (cfr. P. in T., nn. 34-38).

(continia no próximo número).

Porto, 30 de Dezembro de 2011.
Dom Carlos Filipe ximenes Belo


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