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“O povo de Timor-Leste está reconstruindo com o seu próprio suor, com o seu próprio sangue uma pátria revolucionaria democrática, uma terra livre para gente livre”.

7 Dezembru 1975
Invazaun Militar Indonesia nian ba Timor-Leste
TIMOR-LESTE


Interview with
Fernando Lasama de Araujo: On the road to democracy, where the streets have no name

 
 
   

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A DEVOÇÃO A SANTO ANTÓNIO DE LISBOA (OU DE PÁDUA) EM TIMOR-LESTE

No próximo dia 13 do corrente mês, celebra-se em todo o muno católico a festa do glorioso Santo António de Lisboa (ou de Pádua).

Actualmente, em Timor-Leste, Santo António é padroeiro das seguintes Paróquias: Motael (Dili), Manatuto, Baucau, Balibó; a Estação missionária de Lacluta; o Centro Pastoral de Buibau (Baucau); na Vila de Pante Macassar (Oecusse), existe uma pequena capela dedicada a Santo António.

Em 1750, das 15 igrejas que existiam em Timor, havia uma dedicada a Santo António: Igreja de Mena. Mena era um reino, cuja rainha foi baptizada pelo padre frei António de são Jacinto, em 24 de Junho de 1641, e hoje é território de Timor Indonésio.

Nos finais do século XVII e princípios do século XVII, havia em Lifau, uma capela dedicada a Santo António. Nos documentos, fala-se de “Ermida de santo António”. Foi nessa ermida que o primeiro Governador das ilhas de Solor e Timor, Capitão-general António Coelho Guerreiro foi empossado pelo Bispo eleito de Malaca, Dom frei Manuel de Santo António, OP, em Fevereiro de 1702. Os sucessores de Guerreiro, durante a sua permanência em Lifau, tomavam posse nessa Ermida. Lifau foi incendiada e abandona na noite do dia onze para doze do mês de Agosto de 1769.

Em 1856, no seu relatório ao Governador Luís Augusto de Almeida Macedo (1856-1858), o então Superior de vara das Missões de Timor e Solor, escrevia o Padre Gregório Maria Barreto, o primeiro padre timorenses:

No reino de Cotubaba (Atabae): “Cutubaba, a Igreja de Santo António, destituída de toda a sorte de vestimentas e alfaias; contém trinta e cinco christãos”.

No reino de Motael: “Motael, Igreja de santo António, com perto de trezentos christãos e uma irmandade fabriqueira, cujos fundos quase já não existem, exceto alguns paroens, e facas. Pela péssima administração que tem tido; é destituída de vestimentas precisas, não obstante estar tão perto desta Praça [Dilly] acha-se em maior indecência do que as igrejas de Ocusse Batugadé e Manatuto”.

No reino Lacluta: “Lacluta, a Igreja de Santo António, com perto de oitenta christãos. Esta Igreja foi em ano de 1846 toda saqueada pela invasão de Barique e Laclubar; o Major graduado José Cateano Barbosa, sendo então comandante de Viqueque, teve ainda tempo de salvar uma imagem de Santo António com a cruzinha e a diadema de ouro, e a custódia que é de prata, e que elle remeteu para esta igreja (Dilly)”.

Notamos aqui que em 1856, Manatuto tinha uma igreja dedicada ao Espírito Santo. No entanto, conta o Padre Ezequiel Enes Pascoal, missionário em Timor e que foi o fundador da revista Seara, que em tempos antigos, havia em Manatuto uma estátua de Santo António que fora trazida de Larantuca (Ilha de Flores, Indonésia) por um régulo de nome “Dom Mateus da Costa”. E que nesse tempo, o povo recorria este santo milagreiro, solicitando a sua intercessão para combater a praga de ratos e ratazanas que todas as noites dizimavam hectares de campos de arroz, deixando os agricultores de Manatuto em aflição e desespero.

As pessoas começaram, então, a levar a sua imagem em procissão percorrendo as várzeas pertencentes a várias famílias.

Certa manhã, alguns cristãos tinham ido, de manhã cedo, à igreja para cumprir as suas devoções diante da imagem do santo. E qual não foi a admiração deles, quando repararam os que pés de Santo António estavam cobertos de lama. Limparam com todo o respeito os pés do santo. Mas, no dia seguinte, notaram que os pés do “Amo-Deus Coronel Santo António” estavam de novo sujos, denotando sinais de que tinha andado toda a noite no meio dos arrozais ou”nátar laran” a expulsar aqueles infames roedores…

Dias depois verificaram que nas várzeas já não havia mais nenhum rato que destruísse as loiras searas de arroz…Tinha sido o milagre de santo António! Ainda hoje, o povo de Manatuto venera o Santo com o título de “Amo Deus Coronel Santo António”.

Notamos ainda que em 1856, em Baucau, não havia nenhuma igreja. No citado relatório do Padre Gregório Barreto, no que toca à área do actual Distrito de Baucau, apenas dois reinos eram mencionados: Vemasse e Venilale. Nesse tempo, Vemasse não tinha igreja. E Venilale tinha a igreja sob a invocação de S. Pedro.

E como chegou a devoção a santo António a Baucau?

Conta-se que no princípio do século XX, os chefes, os catuas e outros maiorais do reino de Baucau, à frente de arraiais de moradores, foram mobilizados para irem receber a imagem (estátua) de Santo António de Lisboa, na baliza (entre Laleia e Vemasse). Percorrendo a pé, dezenas de quilómetros, levaram a imagem até a capela de Baucau. E, em paga dessa generosidade demonstrada pelos catuas que eram todos pagãos, o nosso Santo António não menos foi pródigo nas suas graças. Pelo contrário, prodigalizou benefícios celestiais tais, que, nesse longínquo ano, as chuvas foram tão abundantes que as hortas de milho e os campos de arroz produziram cem vezes mais que os anos precedentes.

Essa imagem transportada pelos catuas, encontra-se, hoje, na sacristia da Sé Catedral de Baucau. Durante a invasão japonesa, a imagem foi transportada para uma gruta em Wani-Uma (suco de Caibada Waima’a), onde ficou escondida, livre da fúria dos japoneses que destruíram a bonita de igreja de Nossa Senhora de Piedade de Baucau em 1943.

Que o Glorioso Santo António continue a abençoar e proteger os seus devotos espalhados por todo o território de Timor-Leste, especialmente em Motael (Dili), Manantuto, Baucau, Balibó, Lacluta, Buibau e Pante Macassar (Oecusse).

Porto, 8 de Junho de 2011.

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo

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