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“O povo de Timor-Leste está reconstruindo com o seu próprio suor, com o seu próprio sangue uma pátria revolucionaria democrática, uma terra livre para gente livre”.

I N T E R F E T
15 Setembro 1999
O Conselho de Segurança da ONU aprova a Resolução n° 1264,
que autoriza a criação de uma força internacional para Timor-Leste (INTERFET)
TIMOR-LESTE



Interview with Fernando Lasama de Araujo: On the road to democracy, where the streets have no name
Dezenvolvimentu Nasional presija iha Programa nebeé Programátiku
Reasun Oposisaun ba Programa VII gov
Primeiro-ministro timorense não entende críticas a programas..
Oposição exige explicações ao Gov sobre justiça e reforma adm..
Xanana Gusmão quer "ganhar experiência" como oposição..
Governo quer duplicar receitas domésticas com IVA e impostos tabaco...
Masuk Indonesia Tanpa Paspor, 2 Warga Timor Leste Diamankan Polisi
Opozisaun Rejeita, Programa VII Governu, Alkatiri: “Hau Prontu...”
Timor "satisfeito" novo acordo que regula fronteira com Austrália
Comissão confirma acordo entre Timor-Leste e Austrália

 
 
   

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Problematica da Língua: entre ficar preso no seu passado negro para não se avança para frente ou de deixar o seu passado negro para prosseguir para fr

Foto: upload.wikimedia.org Por: José Pereira

Um bom dia a todos,

Em primeiro lugar gostaria de agradecer os amigos do Povo Maubere de todo mundo, principalmente os amigos portugueses pelo seu espírito de solidariedade e de apoio que dão aos timorenses, ao Povo Maubere.

A relação de amizade também tem os seus limites. A fronteira dos interesses de amizade termina onde os interesses individuais de cada um residem. Por isso, queria pedir humildemente aos amigos do Povo Maubere por favor deixem as questões internas do Povo Maubere aos próprios timorenses a resolverem. Agora já somos um país livre e independente. Sabemos muito bem quais são os nossos interesses e sabemos muito bem e melhor o como, onde e quando é que podemos realizá-los. Só partilhamos o que de todos nós que está dentro da fronteira da nossa amizade, mas o que está fora só pertence a quem que aquilo lhe pertence.

Por outro lado, também sei e compreendo muito bem aquele sentimento de ser mais timorenses ou portugueses. Há timorenses que se sentem mais portugueses do que os próprios portugueses. Eles defendem o Português como a sua língua, cultura e identidade própria até a sua última gota de sangue. Mas compreendo essas pessoas porque talvez não tenham nada de si mesmo uma própria língua, cultura e identidade, por isso, emprestam e defendem a língua, cultura e identidade dos outros como as suas próprias. Quando falei com os amigos portugueses a dizer que português é a minha língua, cultura e identidade, eles me riam, talvez porque eles me considerassem como um burro que não sabe nada sobre quem é ele é, de onde vem e para onde vai, por isso, não sabe e nem tem em si uma língua, cultura e identidade própria, procurando emprestar e defender a língua, cultura e identidade dos outros como as suas sem ter vergonha. E quanto aos portugueses, há algumas pessoas que se sentem mais timorenses do que os próprios timorenses. Elas falam e dependem absolutamente as coisas que já não são necessárias ou úteis para os próprios timorenses. Mas acredito que todas essas mentalidades se mudem um dia quando o seu tempo virá.

Bom, quanto ao Sr. Ramos Horta, o Presidente da RDTL, concordo absolutamente com a sua posição politica e com o que ele faz, porque ele sabe identificar e distinguir muito bem quais são os interesses fundamentais e importantes para Timor Lese no seu presente e futuro. Ele é um dos líderes timorenses que tem bom coração e intenções genuínas para servir os interesses do Povo Maubere para obter um futuro melhor. Ele é um político racional, pragmático e um diplomata genuíno que não se sente na tomada da sua decisão política, mas sim pensa, por isso, a sua política não é uma política emocional e de afecto, mas é uma política racional, pragmático e realista.

Na política existe sempre um dilema de escolher entre dois males o menos mau. Timor Leste no seu presente tem de decidir entre ficar preso no seu passado negro para não se avança para frente ou de deixar o seu passado negro para prosseguir para frente para um futuro melhor? Para decidir, tem que ver quais são as vantagens e desvantagens que podem ser obtidas por ficar preso no passado e por deixa-lo atrás para perseguir um futuro melhor? Para pensar e saber nestas coisas, é preciso das pessoas e dos líderes com muitas sabedorias, não com muitos sentimentos e afectos. Os 69 % dos eleitores timorenses escolheram um homem certo, para um lugar certo num momento certo. Por isso, outra vez, dou os meus parabéns a esses eleitores do Povo Maubere que sabiam muito bem o que decidiram.

O Sr. Ramos Horta como o Presidente da RDTL sabe muito bem a importância da Indonésia para Timor Leste como um país independente em termos do relacionamento político, social, económico, cultural e militar devido à sua posição, distancia e dimensão geográfica e demográfica. Quando olhamos aos aspectos políticos, sociais, económicos, culturais, militares, geográficos e demográficos como em cima mencionados, a Indonésia obtém um papel muito preponderante para a vida de Timor Leste como um país independente em comparação com os restantes países no mundo. Por isso, é inevitável e vital em termos da política externa timorense, estabelecendo uma relação política e diplomática bem forte e melhor com a Indonésia para que possa servir e assegurar melhor os interesses timorenses neste país no seu presente e futuro que virá.

Não podemos esquecer que a nossa independência foi pago com um preço muito alto. Esse preço não só contou com a ocupação Indonésia durante 24 anos, mas também com a ocupação portuguesa durante quase 500 anos e a ocupação japonesa durante 4 anos. Haviam muitos timorenses que perderam as suas vidas, famílias e propriedades pela causa da independência. Quando eu ainda era pequeno vi na minha aldeia, estando debaixo de um gondeiro (uma árvore que se chama "Hali" em Tétum) muitos crânios dos seres humanos. Assustei-me e perguntei aos meus país porque havia tantos crânios humanos debaixo daquela árvore? Eles me responderam que foram os crânios dos homens do Dom Boaventura que foram eliminados na guerra de Manufahi quando as autoridades portuguesas mandaram matar Dom Boaventura e todos os seus homens. E eles me disseram também que esses crânios não só existem naquele lugar mas existem em todo território timorense, principalmente nos lugares onde existiam pequenos reis que colaboraram e foram utilizados pelos colonialistas para matarem Dom Boaventura e os seus homens. Havendo também muitos timorenses que foram torturados nas prisões de Aipelu e Atauro até a morte pelos colonizadores portugueses. Muitos deles em Atauro morreram por causa de castigos cruéis e desumanos praticados pelos colonizadores. Os prisioneiros tinham de impedir as grandes palmeiras com folhas cheias de espinhos quando os outros prisioneiros as abateram e caíram no solo. Esses prisioneiros eram da sua maioria foi prisioneiro político, porque não obedeceram ou revoltaram contra a ocupação colonial.

Quando olhamos a estas passadas histórias negras, a estes actos desumanos dos colonizadores portugueses que violaram os direitos humanos contra os timorenses, até agora nunca ouvimos alguém, timorense ou português a criticar e falar sobre a responsabilidade e a justiça pelos actos desumanos praticados. Será que os europeus são impunes pelos actos desumanos praticados contra os outros povos e nações? Quando falamos do passado, da justiça e da violação dos direitos humanos, os antigos colonizadores europeus têm de ser responsáveis pelos actos desumanos praticados por genocídio, escravatura e roubo contra os outros povos e nações conquistados, dominados ilegalmente pela força e até habitam estas terras conquistadas sem deixar até hoje em dia e os próprios donos destas terras são marginalizados.

Por isso, no meu ver, seria muito prejudicial quando ficarmos presos com o nosso passado negro em termos do nosso relacionamento no presente e futuro. O que existe só seria um sentimento de ódio e vingança. Então não e nunca temos um presente e nem teremos um futuro melhor do que o nosso passado que tínhamos. Voltamos a repetir as mesmas coisas do passado. Voltamos a fazer guerras, a destruir e matar entre uns e outros. Porque queremos pagar dentes com dentes e olhos com olhos. Esquecemos de que o que existe na realidade é o presente que temos e vivemos no momento em que somos. O passado existiu e já deixou de existir. Se ontem tivesse fome, faria o porque, obteria o porquê e aplicaria o como no presente para que não se repita o que aconteceu ontem.

O preço que pagamos mesmo que não fosse justo porque pagamos o que não devíamos pagar porque a independência é nossa não é de ninguém, mas o mais importante é que temos ela na nossa mão de volta. O mais importante ainda é o que temos de fazer alguma boa para preencher a independência que temos. Se utilizarmos a independência para dividir o povo e criar grupos armados para destruírem e matarem entre uns e outros, então a independência não tem nada valor e seria inútil. E estas atitudes que são os verdadeiros insultos e desrespeitos à memória daqueles que pagaram as suas vidas pela independência e seria uma traição ao povo. Eles sacrificaram e pagaram as suas vidas por um ideal e é um ideal de uma vida melhor para o seu povo. É uma vida que está cheia de liberdade, de paz, de segurança, de harmonia, de justiça e de prosperidade. Eles se sentiriam mais justiçados quando aproveitamos muito bem a independência que pagaram para fazer bem ao país e ao povo, não pelo castigo daqueles que os fizeram mal, porque esses pagarão as suas partes quando os seus tempos virão.

O Estado tem um dever moral para dar recompensas e apoios financeiros às famílias daqueles que deram as suas vidas para pagar o preço da nossa independência e àqueles foram vítimas da guerra quando Estado escolha um caminho de reconciliação para salvar os interesses fundamentais e importantes que determinam a existência e a vida do nosso país como um país independente no seu presente e futuro. É maneira para evitar que os familiares e as vítimas não se sintam injustiçados.

Quanto à língua Indonésia não é nada verdade de que durante a ocupação Indonésia essa língua foi utilizada como instrumento de repressão do povo e rolo de compressor da cultura timorense. Durante os 24 anos vivi quase todo o meu tempo em Timor Leste nunca senti a repressão dessa língua, o que vi e senti foi pelo contrário. A Indonésia utilizou essa língua para educar quase todos os jovens da nova geração timorense, construindo muitas escolas desde primárias até universidade em comparação com a ocupação portuguesa durante quase 500 anos que quase não fez nada quando comparamos com tempo que teve.

A Indonésia é um país que tem muitas diversidades culturais e respeita muito essas diversidades pela promoção das culturas locais, por isso, durante da sua ocupação, a cultura timorense não foi destruída mas sim promovida e desenvolvida, como por exemplo a própria língua Tétum que foi permitida ensinar nas escolas e a construção das casas tradicionais nas cidades para celebrar o dia da independência da Indonésia e também a performance das danças tradicionais timorenses. O Português foi proibido porque não é uma língua e cultura timorense. E também nunca vi e tive experiência na minha sobre os timorenses que foram torturados por rejeitarem falar o Indonésio. Muitos dos timorenses alfabetos falam muito bem o Indonésio sem haver uma imposição pelos colonizadores indonésios.

A escolha da língua portuguesa como língua oficial não foi uma escolha representativa, mas foi uma escolha política das elites políticas que não baseada na razão mas sim no sentimento e afecto cego por Portugal. As elites políticas só aproveitam a ignorância da maioria da população para impor o que eles querem. Porque a maioria do povo não lhes escolheu para adoptar a língua portuguesa como a língua oficial e a identidade timorense. Eles foram eleitos pelo povo Maubere para servir, defender e promover os interesses políticos, sociais, económicos e culturais deste mesmo povo, não de outros povos. A razão política deles talvez fosse o aproveitamento do resto das verbas distribuídas para Portugal pela União Europeia. Quando Portugal recebe as verbas da União Europeia e se houver o resto pode enviar para Timor Leste, por que estamos a utilizar a sua língua como a nossa cultura e identidade.

A escolha da língua portuguesa como língua oficial não é uma política racional, realista e objectiva. Quando olhamos à nossa realidade social, seria um desastre para nós. Já temos uma realidade difícil com muitas dificuldades, aumentamos mais dificuldades com o Português. Criamos barreiras aos jovens formados em Indonésia e noutros países de não falantes do Português. Os jovens que têm boas formações profissionais vindos da Indonésia e de outros países não falantes do Português não são utilizados por não terem conhecimento do Português, então metemos as pessoas que não têm nada formação profissional nas instituições do Estado para trabalharem porque sabem falar Português mesmo que seja muito mal e essas não sabem fazer nada mas recebem dinheiro do Estado, elas não contribuem nada ao sucesso do Estado mas sim ao seu insucesso e falhanço. Quando olhamos à posição geográfica do nosso país seria inútil essa escolha para nós. Ficamos muito longe dos países que falam essa língua, seria um isolamento para nós em termos do nosso relacionamento com os nossos vizinhos. E quando olhamos aos interesses económicos e comerciais não teremos vantagens nenhumas em termos de trocas comerciais. Não podemos ir importar produtos em Portugal, porque os preços e custos de transportes são altos, não ganhamos nada. E também não vamos importar produtos do Brasil, seria um suicido, porque é muito longe. Não vamos nada importar produtos dos países falantes do Português na Africa, porque é longe, e também importamos o que? Poderia provavelmente existir algumas vantagens quando já temos capitais suficientes para investir no estrangeiro. Fazemos investimento directo estrangeiro nestes países. Se isso for a vantagem, então não precisamos de utilizar essa língua com a língua oficial, só introduzimos no nosso curriculum escolar como uma disciplina das línguas estrangeiras igualmente com o Inglês, o Indonésio, etc.

Por isso, no meu ver, a ideia do Sr. Ramos Horta, o Presidente da RDTL é muito mais racional, realista e objectiva no ponto de vista da política externa do nosso país. A língua indonésia tem um peso muito grande em termos do nosso relacionamento político, económico e cultural com os nossos países vizinhos naquela zona que estamos. Essa língua é muito parecida com o Melayu que é falado na Malásia, Singapura e Brunei. Quem sabe falar o Indonésio automaticamente sabe falar e perceber o Melayu. Os falantes do Melayu – Indonésio seriam mais ou menos 350 milhões de pessoas e mais a Austrália que também adaptou a Indonésia como a sua segunda língua oficial. Estes ditos países são economicamente potenciais e estamos muito dependentes deles em termos comerciais. Por isso, essa ideia de reintrodução da língua indonésia nas escolas de Timor Leste seria muito importante para o presente e futuro do país e também facilita muito os jovens que são formados na Indonésia em termos de ter acesso ao mercado de trabalho, facilitando também os jovens que querem continuar os seus estudos na Indonésia. Por este caminho podemos ter mais facilidades nos termos das nossas relações políticas, sociais, económicas, culturais e militares com os nossos países vizinhos que ajuda muito no desenvolvimento do nosso país no presente e futuro.

Relativamente ao CNRT, a sua vitória na eleição legislativa seria uma verdadeira vitória do povo Maubere. A sua vitória seria uma luz que o Povo Maubere está na sua espera quando ele está na escuridão, é como uma luz de esperança e da vida para um povo e uma nação. Acredito que o CNRT se ganhar não vá utilizar todas as instituições do Estado para servir os seus interesses partidários mas sim os interesses de todo povo, do Povo Maubere. O CNRT nasce para ser o servo do Povo Maubere não para ser o dono deste povo simples, humilde, sofredor e corajoso. O CNRT nasce para unir o povo e desenvolver o país da terra Crocodilo Timor Sol Nascente. O CNRT nasce para libertar o Povo Maubere da pobreza, da insegurança e da injustiça. Já é altura para mudar o rumo, mudar para o melhor e é o melhor para todo Povo Maubere.

NB: Aqui gostaria de falar uma coisa que já há muito tempo gostava de falar. Só queria dizer que não sou uma pessoa anti Portugal e anti os portugueses. Cá tenho bons amigos portugueses, principalmente os professores que são pessoas espectaculares, de cinco estrelas que têm mesmo intenções genuínas e bons corações para me ajudar e apoiar no sucesso do meu estudo em Portugal. Elas são pessoas inesquecíveis na minha vida e fico muito grato por elas. Posso dizer sinceramente de que elas são melhores do que os próprios conterrâneos meus timorenses. Sou uma simples pessoa que não quer misturar os interesses nacionais, os interesses de todos com os meus sentimentos e interesses pessoais. Este é o meu princípio da vida.

Um grande abraço

Lelobere
Fonte: Etsa@yahoogroups.com
www.lelobere. page.tl

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