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terça-feira, 10 de maio de 2016

Samora Machel condecorado a título póstumo com o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste

Samora Machel
Díli, 10 mai (Lusa) - O antigo Presidente moçambicano Samora Machel vai ser condecorado, a título póstumo, no próximo dia 20 de maio, pelo Presidente da República timorense com o Grande-Colar da Ordem de Timor-Leste.

O decreto presidencial que confirma a decisão, a que a Lusa teve acesso, destaca o papel de Samora Machel como "e verdadeiro irmão do povo timorense" e alguém que desde o início "ficou sensibilizado com a causa do povo timorense e manifestou decisivamente o apoio total de Moçambique à luta do povo timorense".

"O Marechal Samora Moisés Machel foi um visionário corajoso e determinado, não havendo barreiras que o impedissem de defender o direito inalienável do povo de Timor-Leste à sua autodeterminação, direito este que uma vez reposto tornaria a libertação uma realidade", refere o decreto.

"Para ele, ‘enquanto Timor-Leste não se tornasse um país independente, a independência de Moçambique não seria completa'", recorda o texto.

O decreto de Taur Matan Ruak destaca ainda "a solidariedade prestada pelo povo moçambicano", sob a direção de Samora Machel, aos povos do Zimbabué, da Namíbia e da África do Sul, o que "resultou na libertação destes três povos irmãos (…), um precioso contributo à Humanidade".

A Ordem de Timor-Leste pretende "demonstrar o reconhecimento de Timor-Leste por aqueles, nacionais e estrangeiros, que, na sua atividade profissional, social ou, mesmo, num ato espontâneo de heroicidade ou altruísmo, tenham contribuído significativamente em benefício de Timor-Leste, dos timorenses ou da Humanidade".

A lista de condecorados este ano inclui vários portugueses e australianos, um jornalista norte-americano, uma cidadã indonésia e um moçambicano.

Com o Colar da "Ordem de Timor-Leste" é condecorado o padre Elígio Locatelli, um missionário salesiano italiano que vive em Timor-Leste há mais de meio século.

Com o grau de Medalha da "Ordem de Timor-Leste" são condecorados, Carlos Gaspar, investigador e ex-conselheiro de Jorge Sampaio, o cantor Luis Represas e a comandante Patrícia Alexandra Costa Gaspar, da Proteção Civil.

Estão também entre os condecorados deste ano o vice-almirante António Silva Ribeiro, diretor-geral da Autoridade Marítima e comandante-geral da Polícia Marítima portuguesa, e Arnaldo José Ribeiro da Cruz, presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Proteção Civil (SNBPC).

Também condecorado, entre os lusófonos, está o secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Isaac Murargy, e dois luso-timorenses, os párocos João Felgueiras e José Alves Martins.

Serão ainda condecorados o padre Leão da Costa, Antero Benedito da Silva, Xisto Martins e Maria Manuela Leong Pereira.

Na lista de condecorados incluem-se a organização Hobart East Timor Committee, o jornalista norte-americano Arnold S. Kohen, o ativista australiano Robert Anthony Hanney e o ex-senador australiano Bob Brown.

São ainda reconhecidos a ex-parlamentar trabalhista australiana Jean McLean, responsável da Australia East Timor Association e a trabalhista Meredith Anne Burgmann, ex-presidente do New South Wales Legislative Council.

A título póstumo, vão ser condecorados os jornalistas Brian Peters, um dos cinco jornalistas mortos em Balibo em outubro de 1975, e Kevin Sherlock, o documentalista apaixonado por Timor-Leste e que reuniu, até à sua morte, um dos maiores arquivos sobre o país, nomeadamente do período de colonização portuguesa.

Com a Insígnia da "Ordem de Timor-Leste" é condecorado Carlos Pereira de Lemos, antigo cônsul honorário de Portugal em Melbourne e muito ativo no apoio à comunidade timorense naquela cidade.

A lista inclui ainda a cidadã indonésia Titi Irawati, ativista e jornalista que integrou o movimento anti-Suharto, na indonésia, lutando depois pela liberdade de imprensa e em defesa de outros presos político, tendo trabalhado desde 1999 com a organização timorense Yayasan HAK, em Díli.

ASP // VM
Lusa/Fim

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