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domingo, 24 de maio de 2015

Príncipe Baltazar de Oe-cusse/Ambeno, Primeiro Embaixador Itinerante de Timor

Bispo D. Ximenes Belo
Vai sair, em França, um livro sobre o Príncipe Baltazar, filho dos Régulos Hornay de Oe-Cusse. Este formidável trabalho é da autoria do Professor Dr. Frédéric Durand, o já conhecido historiador das cosias de Timor-Leste.

Como sabemos, desde os finais do século XVII até à segunda metade do século XVIII, dominavam a cena política de Timor e Solor as dinastias COSTA e HORNAY que se sucediam alternadamente no governo das ilhas de Solor e Timor.

Esse príncipe Baltazar de que fala o professor Durand era filho do Régulo Gaspar da costa (1732-1749). Foi levado por um missionário, frei Inácio de São José, para França a fim de ser ali educado. Mas, infelizmente, o rapaz foi abandonado e entregue a si próprio, vivendo na mendicidade e trabalhando nos portos do sul da França.

Pelos vistos, o príncipe Baltazar, soube desenrascar-se e sobreviver a todas a as dificuldades e ultrapassar todos os infortúnios.

O Professor Frédéric Durand, depois de ter efectuado aturada pesquisa, consegue trazer a lume esta grande figura de timorense que eu considero o primeiro embaixador itinerante de Timor-Leste.

Peço licença para transcrever as palavras do professor Durand, traduzidas para Português pelo Dr. António Semedo.

“Balthazar-Pascal-João Celso, que se declarava «Príncipe das ilhas de Timor e de Solor », é conhecido dos historiadores através duma nota enviada ao rei francês Luís XV. Nessa brochura publicada em Paris em 1768, o jovem de pele escura, com trinta anos nessa altura, contava que tinha ido até à China e ao Québec. Também dizia que tinha sido abandonado em França com treze anos de idade por um padre português que devia acompanhá-lo para aperfeiçoar a sua educação.

Nesta situação, Balthazar pedia a Lui s XV que enviasse barcos para procurar socorros junto do seu pai, o rei de Timor. Luis XV não tinha acreditado e Balthazar tinha sido exilado para Saint-Denis.

Muito poucos elementos eram conhecidos sobre o que lhe aconteceu depois. Os que estudaram esta história pensavam que este possível impostor tinha morrido na miséria durante a década de 1770. Graças a várias memórias manuscritas, a um fragmento de auto-biografia, a várias dezenas de cartas e a recortes de imprensa da época, foi possível reconstituir o seu percurso até à sua morte, mais de vinte anos mais tarde.

Na realidade o Príncipe frequentou muitas personalidades do mundo da política, das letras e das ciências ocultas. Bateu-se contra a Companhia francesa das Índias, escreveu a Voltaire e foi visto como uma das pessoas que favoreceram o fim do reinado de Luís XVI e o advento da Revolução francesa.

A sua história ainda é controversa, porque subsistem muitas ambiguidades e mesmo certas contradições naquilo que ele viveu. Estas questões são estudadas num livro publicado em 2015 nas Editions des Indes Savantes:

- Apoiando-se neste estudo, a presente exposição esforça-se por apresentar a sua vida, que o levou a desempenhar um papel surpreendente na história de França.

Balthazar : un prince deTimor en Chine, en Amérique et en Europe au
XVIIIe siècle. Essai d’histoire contradictoire”.

Neste ano que Timor-Leste vai celebrar os 500 anos da chegada dos portugueses a Timor, é de toda a conveniência ler este livro do Professor Durand.

Porto, 23 de maio de 2015

Dom Carlos Filipe X. Belo

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