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Entrevista
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quinta-feira, 12 de março de 2015

Recordando o Padre José Maria Barbosa, Antigo Superior da Missão de Ermera


RECORDANDO O PADRE JOSÉ MARIA BARBOSA, ANTIGO SUPERIOR DA MISSÃO DE ERMERA

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo
Faleceu no dia 2 de março de 2015, em Penafiel, Portugal, o Padre José Maria de Sousa Barbosa, antigo missionário em Timor-Leste, entre 1973-1983. 

Nasceu a 22 de abril de 1933, em Louredo, Paredes, contava 82 anos de idade Foi ordenado em 5 de agosto de 1956. Em 1957 foi nomeado cooperador de Valongo, e em 1959 cooperador de Jovim. Em 1959 foi pároco de Vila Verde e Aião (Felgueiras). Depois de ter regressado de Timor-Leste, desde 1985, desempenhava as funções de capelão do Centro Hospitalar do Vale de Sousa e de Santa casa de Misericórdia de Penafiel. O seu funeral, presidido pro Dom António Taipa, bispo auxiliar do Porto, realizou-se na terça-feira. 3 de março de 2015na igreja da Misericórdia de Penafiel.

Conheci o saudoso padre José Barbosa nos finais de Agosto de 1975, na Missão de Maliana. Naquela segunda quinzena do mês deram-se importantes factos no então Timor Português: a Fretilin acabara de desencadear um contragolpe e começava a controlar a cidade de Díli, obrigando os partidos pró-integração (UDT, Apodeti e Kota) a procurarem o refúgio em Timor ocidental (Indonésia); o governador português Mário Lemos Pires e a sua equipa abandonavam Díli e foram refugiar-se na ilha de Ataúro. Para os portuguese, chineses, mestiços e alguns timorenses,  iniciava-se o êxodo geral: Portugal, Austrália, Macau e Indonésia. Foi, neste ambiente de confusão e de guerra civil, que, eu, ainda seminarista, saí de Díli e fui para Maliana, onde fui acolhido pelo missionário goês, padre Santa Roque Pereira. 

Num domingo à noite, chegavam também a Maliana o padre José Barbosa e quatro irmãs dominicanas. Nesse dia, o missionário tinha ido celebrar a Eucaristia na Estação Missionária de Hatolia. Com a entrada das forças da Fretilin na vila de Ermera, dera-se a debandada geral por parte dos membros e simpatizantes da UDT. O missionário e as religiosas que não estavam filiados em nenhum partido foram obrigados a seguir para a fronteira. Com notícias da tomada de Maliana pelas forças da Fretilin, seguimos todos (padres e freiras e aspirantes ao noviciado) para a Batugadé, povoação fronteiriça. No dia 31 de agosto de 1975, entrávamos no território indonésio. Chegados à vila de Atambua (Timor indonésio), o padre Santa Roque Pereira (superior da Missão de Maliana), o padre José Barbosa (superior da Missão de Ermera) e eu fomos recebidos pelo Vigário geral da Diocese que nos deu hospedagem na residência do Bispo de Atambua. Entretanto, chegaram outros sacerdotes da Diocese de Díli, os quais foram acolhidos no paço. Recordo-me que nessa altura, o saudoso padre José Barbosa não levava bagagem; apenas trazia as alfaias da missa, o breviário, a batina branca e a roupa que trazia no corpo. Depois de um mês em Atambua, eu recebi ordens dos meus superiores para seguir para Macau, onde iria completar o estágio no Colégio Dom Bosco. Os sacerdotes da Diocese de Díli aguardavam em Atabua momento favorável para regressar às suas Missões. 

Em Dezembro de 1975, deu-se a entrada das Forças Armadas indonésias em Timor Português. O padre Jose Barbosa e outros sacerdotes só voltaram para as suas Missões em março de 1976. Soube mais tarde, que o padre José Barbosa tinha regressado à sua querida Missão de Ermera onde iria permanecer até julho de 1983. Entretanto, registavam-se combates entre forças indonésias e as Falintil (da Fretilin); com o controle militar indonésio, as populações estavam encurraladas nas suas povoações; não tinham liberdade de movimento, nem de reunião, nem de opinião: vivia-se um período de sofrimento, de doenças, de fome e de morte. Nesses anos conturbados, o missionário José Barbosa não deixava de visitar os cristãos das estações missionárias: Letefoho, Atsabe, Hatolia e Fatubessi. Mesmo em período de guerra, ele exortava os cristãos a manterem-se unidos, sobretudo, com a reza diária do terço, da adoração ao Santíssimo Sacramento e, na construção de capelas. Disse-me ele um dia, que, com coração dolorido, assistia ao carregamento de toneladas de café (da população), por parte dos soldados indonésios, quer em camiões, quer em helicópteros…para Díli, e dali… para Indonésia…

Em 12 de maio de 1983, fui escolhido pelo papa João Paulo II para novo Administrador Apostólico ad nutum Sanctae sedis da Diocese Díli. Nos encontros que tive com ele na Câmara Eclesiástica, o padre José Barbosa falava da sua catividade em Ermera, das suas visitas às aos Postos Administrativos (Kecamtan), e, das suas preocupações de paz, de reconciliação e do respeito dos direitos humanos! Um dia em que estávamos reunidos em Lahane para o retiro do clero, o padre manifestou o desejo de abandonar Timor e regressar a Portugal. Queixava-se de que tinha a saúde abalada e os nervos à flor da pele…Calei-me, e apenas respondi: “quando quer partir?”

Foi com muita pena nossa que vimos sair de Timor, o último padre secular português. A Diocese de Díli e os cristãos de Ermera perderam um sacerdote amigo, um pastor zeloso e um missionário generoso. 

Semanas depois, fui a Ermera presidir às cerimónias da instalação do novo superior da Missão. Depois da Eucaristia, os cristãos ofereceram um “copo de água”, onde não faltaram além, do rico menu, saborosos ananases. Perguntei a um catequista: De onde vieram estes ananases assim tão saborosos? – Dos jardins da residência! E foram plantados pelo Padre José Barbosa, nosso antigo superior!”

Rezo para que o padre José Barbosa descanse em paz e, lá do céu, possa interceder pelos cristãos de Ermera e pelo povo de Timor-Leste que ele tanto amou e soube servir!

Porto, 12 de março de 2015
Dom Carlos Filipe Ximenes Belo

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