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domingo, 4 de janeiro de 2015

AUTOFLAGELAÇÃO DE XANANA GUSMÃO

Segunda autoflagelação do Xanana Gusmão

PM Kay Rala Xanana Gusmao
Neste início do ano de 2015, destaco as autoflagelações de Xanana Gusmão como figura incontornável do passado recente, do presente e do futuro.

Xanana Gusmão sempre foi um líder, um homem com muito carácter perseverança, tem grande alma fraternal, espírito humildade e senhorio da simplicidade.

Tal como referi na minha reflexão do fim do ano de 2014 e para completar as avenças descritivas do termo autoflagelação, continuo com o mesmo termo neste artigo para descrever a entrega que o Xanana Gusmão fez desde os tempos da guerra até hoje.

A alma fraternal, o espírito de humildade e dom da simplicidade transformou o espírito de luta dos guerrilheiros numa grande paixão ao seu líder e Comandante em Chefe das FALINTIL. Isso fez sentir no seio dos guerrilheiros um sentimento conforto e conciliador, entrega e submissão permanente às ordens do Comandante Superior de Luta.

Mesmo enfrentar as dificuldades ele (XG) sempre encontrou mecanismos para unir a força enfrentar a potência ocupante, com uma resistência armada debilitada e reduzida a pequenas unidades espalhadas mas foi inesgotável os esforços para estabelecer os contatos e encorajar os seus elementos dando-os os conselhos, os carinhos, amor e integridade física e psicológica dos guerrilheiros como condição indispensável para resistir e lutar.

Como líder máximo da resistência o Xanana Gusmão também teve forte influência na entrega aos interesses superiores de luta  dos partidos políticos de modo que os partidos se afluam numa só direção de luta e deixando os interesses partidários com constrangimentos político-ideológicas para outro plano. 

Ele (XG) teve muita influência nos esforços por intermédio do seu representante pessoal e representante especial do Conselho Nacional da Resistência Maubere Dr. José Ramos-Horta, para unir os Timorenses da diáspora em torno da autodeterminação e independência bem como a promoção da reconciliação entre os Timorenses de várias tendências ideológicas e fações no seio do timorenses incluído os defensores da integração na Indonésia. 

Outro aspeto singular que marca a diferença do Xanana Gusmão como filho de um povo humilde e simples é a caraterística dele, a humildade, simplicidades, paciente, trabalhador e corajoso configura-se na pessoa de Xanana Gusmão como líder nato e carismático capaz de transformar o impossível tornar-se em possível.

Para muitos, os esforços para a reconciliação com os timorenses que trabalharam a favor do regime de Soeharto durante mais de duas décadas seria um desperdício desnecessário e impensável por motivos óbvios, os ressentimentos das violências e terror da política terra queimada no pós referendo. Mas Xanana Gusmão teve a coragem de a fizer nesta era da independência. Prova disso, ele teve esforços nas muitas ocasiões convencer as populações timorenses deslocadas e encontradas no território da Indonésia para voltarem a suas terras e aldeias em Timor-Leste, estes são o exemplos entre ouros esforços.

O espírito reconciliador foi bem refletido na formação do IV e V Governo Constitucional onde o Xanana Gusmão como Primeiro-Ministro. Desta vez Xanana Gusmão mostrou-se ao mundo de que os 24 anos de guerra em Timor-Leste não foi uma guerra entre os Timorenses, mas sim, foi por causa dos efeitos dos sintomas de abandono por um lado e a política de “dominó” dividir e reinar (devide et impera) por outro.

Nestes quase dois mandatos de executivos que Xanana Gusmão lidera como o chefe do governo existe alguns membros que no passado foram muito afetivos aos interesses do regime de Soeharto e trabalharam direta ou indiretamente para inimigos.

Surge no entanto, a questão de saber se os executivos do IV e V Governo Constitucional fossem dirigidos por outros líderes timorenses com caraterísticas diferentes e não pelo Xanana Gusmão, qual seria a situação de hoje em dia? Como seria as relações de vizinhança, estabilidade nacional, estabilidade e o equilíbrio regional, e as relações bilaterais com a República Indonésia, bem como outros países membros não-alinhados e a própria ASEAN, nada poderia garantir a uma normalidade como atual?

É nessa situação que  Xanana Gusmão oferece a sua capacidade e oferece dele uma mais valia para os interesses da nação e do povo de Timor. Esses esforços são contributos que nem todos são capazes de os fazer e isso é mais uma forma de autoflagelação de Xanana Gusmão aos interesses nacionais.

A terceira autoflagelação de Xanana Gusmão  foi quando, por ordem do Governo baseado nos termos da resolução do Parlamento Nacional, evocando os superiores interesses nacionais, imposta a expulsão dos magistrados internacionais dentro 48 horas.

Porque, para o Xanana Gusmão, que sentiu no seu próprio corpo e os sofrimentos por si sentidos do seu povo durante muitos anos e que no pós da guerra haja alguém que quer gozar e abusar com a fragilidade do seu país nesta era da independência e soberana? Então, ficarão a saber que o Xanana Gusmão nunca teme dos desafios. E como é óbvio, Xanana Gusmão já estava ciente dos contornos e alguns danos colaterais a deriva da decisão mas  não hesitou de a tomar como legitima defesa dos interesses do seu país e do seu povo.

A quarta autoflagelação tornou pública quando no dia 12 de Novembro de 2014,  na ocasião da cerimónia comemorativa do dia de Massacre Santa Cruz, em que ele reclamou, dizendo que o maior corruptor de Timor é ele (XG). Desta forma Xanana Gusmão retirou as responsabilidades de alguns dos seus membros do governo que praticam ou cometeram os atos da corrupção, imputando para si as responsabilidades  como principal autor da corrupção que tanto falam de dentro e fora do país.

O espírito apaziguador e boa vontade de conciliação entre os Timorenses, a visão profunda e a entrega do Xanana Gusmão para um Timor-Leste ideal aos Timorenses, sem deixar margem de promiscuidade, de ressentimento, e de rancor do passado torna-se, neste momento, como um vírus destruidor do bom nome de Xanana Gusmão e arruinar  a sua própria imagem como líder carismático e incontornável de muitos Timorenses e não só.

Mas a realidade é isso, espera-se a situação não implica em demasia os projetos do país, a corrupção se supera pela supremacia luz da justiça e que a roda do desenvolvimento se avance em direção das nossas perspetivas e a democracia se madureça, o país se evolui e o sofrimento do martirizado povo de Timor-Leste que se minimize.

Viva Timor-Leste !

Lisboa, 5 de Janeiro de 2015.

O cidadão


Victor Tavares

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