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sábado, 20 de setembro de 2014

O elogio da diplomacia

Durante séculos, Portugal e a Indonésia tiveram relações comerciais e uma proximidade ao ponto de influenciar a cultura.

Ainda hoje, o bahasa indonésio inclui mais de três mil palavras de origem portuguesa. Satu (sábado), minggu (domingo), sepatu (sapato), kéju (queijo), mentéga (manteiga) são exemplos de uso diário. Com a brutal invasão indonésia de Timor-Leste e os anos de violência diária que se seguiram, Lisboa manteve as relações cortadas com Jacarta até 1999. Não comprávamos produtos “made in Indonesia” e tratávamos todos os indonésios como inimigos ou, na melhor das hipóteses, pessoas para manter à distância. As negociações entre Portugal e a Indonésia, com mediação da ONU, que resultaram no referendo, foram marcadas por grande desconfiança mútua. Mas a diplomacia venceu e os timorenses conquistaram a independência. 15 anos depois, um Presidente indonésio visitou hoje Portugal pela primeira vez. O último a fazê-lo esteve em Lisboa com Salazar. Yudhoyono foi o primeiro presidente indonésio escolhido por sufrágio universal. O seu sucessor, Joko Widodo, o “novo Obama indonésio”, será o primeiro sem qualquer ligação à ditadura ou às Forças Armadas. 

A Indonésia, um gigante em população e força económica, está a mudar. A normalização das relações bilaterais é inteligente e é mais do que simbólica. É estratégica para a estabilidade de Timor.

Editorial Publico
http://www.publico.pt

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