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quarta-feira, 28 de março de 2012

Eles costumavam criticar os Governos da FRETILIN, mas agora não criticam o Governo da AMP: Traição dos Princípios Políticos ou Oportunismo Político?


Eles costumavam criticar os Governos da FRETILIN, mas agora não criticam o Governo da AMP: Traição dos Princípios Políticos ou Oportunismo Político?


José António do Rosário Soares
Movimento Pró Prosperidade para os Pobres    
Ex-Seminarista do Seminário de Nossa Senhora de Fátima, Balide, Díli
E-mail: unrecognized_man@yahoo.com


Este artigo é um esforço feito em homenagem aos pobres que morreram por serem vítimas inocentes da política suja e aos pobres cuja vida depende muito fortemente do salário que recebem, em especial, as empregadas domésticas. Em tempo de paz, acredito que não houve timorenses que perderam vida por falta de comida ou fome, mas houve timorenses que morreram por doenças, por falta de nutrição, devido à inexistência de recursos financeiros para ajudar a financiar as despesas durante o processo de tratamento médico. O direito de acesso aos serviços de saúde deve ser garantido a todos, de modo igual, independentemente da classe social. Sem dúvida nenhuma, este direito é um sonho de cada pessoa em Timor-Leste.   
O título deste artigo foi escolhido com base na realidade política de Timor-Leste nos últimos dez anos. Não estou a fazer campanha política porque a época da campanha para a primeira volta das eleições presidenciais de 2012 já acabou, as eleições presidenciais já foram realizadas pacificamente e já sabemos os resultados das referidas eleições. O período da campanha eleitoral para a segunda volta ainda não começou. Este artigo não pretende transmitir boatos para provocar a formação da opinião pública a favor de um determinado candidato ao cargo de Presidente da República na segunda volta das eleições, nem tentar reduzir número de votos para determinados partidos políticos nas próximas eleições legislativas.              
Quem são “eles” no título deste artigo? “Eles” são timorenses que também contribuíram para a independência de Timor-Leste, mas na minha opinião “eles” não são verdadeiramente nacionalistas. Para não haver opinião irrazoável sobre a minha posição política, é melhor eu afirmar que não tenho partido político neste momento. Não sou da FRETILIN (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente), nem da AMP (Aliança dos partidos políticos com Maioria Parlamentar), que tem governado este país desde Agosto de 2007.          
A quem é que a palavra “eles” no título se refere? Não sou uma pessoa que tem capacidade infalível para dar uma resposta totalmente correcta à pergunta, mas acho que tenho base suficiente para apontar os meus dedos para “eles”. “Eles” não tinham cargos importantes no Governo e no Parlamento, mas neste momento alguns deles são titulares de altos cargos públicos no Governo e no Parlamento.
Infelizmente ainda é muito cedo nós afirmarmos que Timor-Leste já é um país democrático. Timor-Leste ainda está na fase de democratização. “Eles” costumavam criticar fortemente os Governos da FRETILIN, mas agora “eles” já não sabem (ou não querem) criticar os seus colegas e amigos, tendo em conta que todos eles estão “dentro do sistema” em que existe um sentimento de pertença à sua origem comum, que era Oposição em relação aos Governos da FRETILIN. Além disso, há ainda um sentimento comum que demonstra que criticar os colegas ou amigos deles significa também fazer autocrítica porque “eles” são unidos por uma aliança que se chama AMP. Por outras palavras, divulgar as fraquezas de uma parte da AMP é igual a um atentado contra a vida do Governo da AMP. Numa das ocasiões na Faculdade de Direito da Universidade Nacional Timor Lorosa’e um colega disse: a política é arte de mentir. Talvez esta frase curta tenha a sua razão. A política partidária tem a sua própria forma de se adaptar ao ambiente onde se encontra o espaço da sua actuação política para poder atingir determinados fins. Os políticos devem ser pessoas que são capazes de captar a vontade do povo e transformar a vontade captada numa realidade que deve satisfazer as necessidades do referido povo.
A política partidária deve ter princípio para legitimar os actos dos políticos. Não basta haver autoridade política para governar um país. É obrigatório haver autoridade moral para iluminar cada afirmação política ou acto político das pessoas que se envolvem na vida política. Sem princípio, a política partidária é apenas uma arte de mentir, ou seja, para chegar a um objectivo final (= o poder político), todos os esforços feitos pelos políticos são considerados legítimos apesar de haver promessas falsas ou mentiras ao longo do caminho para alcançar os fins desejados. 
A sociedade timorense ainda tem uma memória fresca para se recordar dos anos em que os partidos que estão actualmente em poder eram Oposição. Os dirigentes destes partidos falavam e criticavam muito, mas as suas palavras não tinham ressonância. Infelizmente hoje estes dirigentes já não criticam o Governo da AMP. A FRETILIN que estava em poder agora tem a oportunidade de sentir os pontos positivos e negativos de ser Oposição. Agora os políticos da FRETILIN falam e criticam muito, mas as suas palavras não têm ressonância. A frase antiga “o mundo dá muitas voltas” parece ter também um significado muito profundo na realidade política. É certo que num país democrático, as críticas são sementes do desenvolvimento nacional. Por essa razão, as críticas apresentadas com boa fé devem ser avaliadas melhor para serem transformadas numa base que serve para ajudar os governantes (ou decisores) a tomar decisões importantes em relação ao processo de desenvolvimento nacional. Oposição forte é um bom sinal de complementaridade, se houver fraquezas provenientes da parte que está em poder. De igual modo, a Oposição deve também considerar o Governo em poder como o seu parceiro, não como uma força estranha em relação à Oposição.
Talvez os leitores continuem a querer saber quem são “eles” que o título deste artigo indica. Sem a intenção de ofender, sem a pretensao de difamar, sem a vontade de desvalorizar os esforços feitos por “eles” durante os anos em que “eles” estavam na Oposicao e nos últimos cinco anos, e sem o interesse em reduzir o número dos votos que “eles” vão ter nas próximas eleições legislativas, com toda a franqueza e com um sentimento cheio de boa fé, tenho a honra concedida pelos pobres em Timor-Leste de dizer que as pessoas cujos nomes estão descritos aqui costumavam criticar os Governos da FRETILIN porque eles não tinham “poderes”. Agora “eles” têm “poderes” e o acto de criticar já não é hábito deles, mas é só da Oposicao. Os partidos que estavam na Oposição (Partido Democrático, Partido Social Democrata, Partido Socialista de Timor, etc) sentiam a sorte e o azar de estar em poder e o partido que estava em poder (FRETILIN) também sentia a sorte e o azar de ser uma Oposicao. Por várias vezes, as opiniões construtivas da Oposição eram (ou são) simplesmente ignoradas por quem estava (ou está) em poder, invocando a força de uma maioria absoluta no Parlamento para validar os seus actos. Consequentemente o povo é que “paga a dívida” dos políticos, mas quando chega o momento de “pedir o reembolso do montante pago em relação à dívida dos políticos”, o povo (ou melhor eleitores porque nem todo o povo vota nas eleições e os eleitores podem não representar a vontade maioritária do povo) vai exigir com força que não pode ser derrotada por ninguém ou por nunhum armamento poderoso. Esta exigência popular é as eleições gerais (presidenciais e legislativas).  
Se nós compararmos os orçamentos alocados para os Governos da FRETILIN e para o Governo da AMP, a diferença que se nota é muito grande, tendo em conta a capacidade financeira de Timor-Leste. Todos os timorenses não têm objecção se os gastos dos fundos públicos forem feitos razoavelmente, dando prioridade às necessidades do povo, mas com especial ênfase na vida das pessoas mais carenciadas. Actualmente as receitas fundamentais do Estado são dos recursos naturais (petróleo e gás). Sabemos que petróleo e gás não são recursos renováveis. Os desperdícios do fundo petrolífero poderão pôr em causa a vida das gerações futuras.
Tenho autoridade moral para afirmar que a distribuição actual da riqueza nacional está a criar injustiça social. Muitos timorenses ainda não sentiram apropriadamente os pontos positivos da execução do orçamento geral do Estado. É certo que o actual Governo já se esforçou muito por melhorar as condições de vida do povo, mas mais esforços devem ser feitos para eliminar ou minimizar o grande espaço de diferença em aproveitamento dos benefícios disponibilizados pelo Estado. “Eles” agora ignoram os erros feitos pelos seus colegas e amigos que estão em poder. Esta ignorância justifica o sentimento de pertença errado deles.                                     
Não acredito que o público timorense fique assustado se eu mencionar os nomes das pessoas que pertencem à palavra “eles” neste artigo. Eu também duvido que “eles” fiquem aborrecidos se eu escrever os seus nomes aqui. Quem são “eles”? Tomando em consideração a famosa expressão inglesa, “ladies first”, queria começar por mencionar a figura feminina mais crítica durante o período da governação da FRETILIN: a actual Ministra da Justiça cujas funções estão agora suspensas para enfrentar o poder judicial, Lúcia Lobato, o actual Presidente do Parlamento Nacional, Fernando La Sama de Araújo (este conterrâneo e o grupo político dele condenavam o sistema de governação de Mari Alkatiri, dizendo que o Francisco Guterres Lu Olo não era Presidente do Parlamento Nacional, mas era “porta-voz” do Governo da FRETILIN; na minha opinião, agora o compatriota Fernando La Sama de Araújo é “advogado” do Governo da AMP), o actual Secretário de Estado da Política Energética, Avelino Coelho (este compatriota tem ideologia socialista, mas depois de ser membro do Governo, o espírito socialista dele já não é muito bem visível), o actual Ministro da Agricultura e Pescas, Mariano Asanami Sabino (este conterrânea costumava condenar as actividades do então Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas, mas agora o desempenho dele não demonstra um êxito extraordinário).   
Estes nomes são apenas exemplos que podem levar a nossa memória para o nosso passado. Eles são amostras de figuras que também costumavam criticar muito, mas infelizmente agora estão em greve de fala. Vários Deputados neste momento já não sabem (ou não querem) criticar os seus amigos ou colegas no poder executivo porque pensam que quando fazem críticas contra os amigos ou os colegas, fazem simultaneamente críticas contra os seus próprios grupos. Alguns políticos da FRETILIN não criticavam com consciência os seus amigos ou colegas quando a FRETILIN estava em poder. Acho que no futuro se a FRETILIN estiver em poder novamente, vamos ver situações semelhantes. Os políticos da FRETILIN não vão fazer críticas contra os seus amigos ou colegas que desempenham funções no poder executivo ou no poder legislativo.    
Os políticos que estão agora em poder costumavam falar, discutir ou debater muito sobre a alegação de corrupção na governação da FRETILIN, mas agora eles não falam, não discutem e não debatem sobre a alegação de corrupção no Governo da AMP. Qual é o motivo deste silêncio? Não é preciso descrever uma resposta completa aqui porque todos nós sabemos muito bem a resposta que deve ser dada à pergunta.
Quais são os factores que destroem o ser humano? Mahatma Gandhi respondeu:
"A Política sem Princípios, o Prazer sem Responsabilidade, a Riqueza sem Trabalho, a Sabedoria sem Carácter, os Negócios sem Moral, a Ciência sem Humanidade e a Oração sem Caridade. […]”. Acho que ninguém discorda das palavras interessantes de Gandhi, visto que têm toda a relevância para afirmar, em particular, que a política sem princípio é apenas uma arte de mentir e não tem nenhuma legitimação.     
            Os eleitores vão decidir no “dia de julgamento” (= dia das eleições) se o conteúdo deste artigo tem a sua posição certa ou não. Este artigo é somente uma manifestação de sentimento, que é também sentimento de muitos timorenses, incluindo as pessoas que não sabem escrever nem ler. Parece ser muito exagerado para quem está envolvido num determinado grupo político partidário. Com maior ou menor esforço, todos nós contribuímos para a democratização do nosso país através de uma liberdade de expressão que está garantida na nossa Constituição.
Caso haja ponto de vista divergente que quer enfrentar as opiniões exprimidas aqui, estou à disposição para fazer esclarecimento. A política tem a sua própria máscara. Nós, seres humanos, temos diversas fraquezas que muitas vezes afastam o nosso bom relacionamento com outras pessoas em vários domínios da vida, incluindo o domínio político. Em princípio, a política visa melhorar a vida do povo. Às vezes, ao longo deste processo de melhorar a vida do povo, todos os recursos são considerados unilateralmente legítimos. A existência de traição dos princípios políticos ou oportunismo político não é uma impossibilidade neste processo. Muitas vezes ouvimos as palavras traidor e oportunista. Com a nossa arrogância, muitas vezes julgamos outros seres humanos facilmente, dizendo que nós somos melhores e apontando dedos para outras pessoas.
É claro que naturalmente, em determinadas situações, incluindo no aspecto político, temos orgulho de alcançar certos fins. Mas este orgulho não pode ser excessivo porque o excesso de orgulho pode ser arrogância. O título deste artigo tem uma pergunta que necessita de uma resposta. Qual será a resposta? Basicamente, a resposta depende do ponto de vista de cada pessoa. Para mim, ser um traidor é melhor do que um oportunista. Finalmente, com todo o gosto, vou assumir responsabilidade pelo conteúdo deste artigo.                                                                                                

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