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domingo, 25 de outubro de 2009

Dhlakama já reconheceu que, se perder a sua quarta corrida à chefia do Estado, desiste de vez, nunca mais se voltando a candidatar

Esta vai ser a última oportunidade da Renamo

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que de 1976 a 1992 travou uma luta contra a Frelimo, encontra-se actualmente em risco de perder o seu papel de importante força da oposição parlamentar, depois de nas legislativas de Dezembro de 2004 só ter conseguido 29,7 por cento dos votos expressos. No entanto, as opiniões divergem sobre até que ponto o seu desgaste se irá traduzir nas eleições do próximo dia 28.

O líder daquele partido, Afonso Dhlakama, que em 2004 averbou para si 31,7 por cento (um pouco mais do que os seus candidatos ao Parlamento) prometeu que, se perder as presidenciais, às quais se candidata pela quarta vez, não voltará a concorrer; e que se acaso faltar à palavra - tentando de novo a sua hipótese em 2014 - então o povo que não vote nele.

Paulo Granjo, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, disse ao PÚBLICO ser “bem possível que, com a exclusão do novo MDM (Movimento Democrático de Moçambique) de nove círculos eleitorais (incluindo Manica, um daqueles em que tem mais apoio, e a província de Maputo, onde está em visível expansão nas zonas periurbanas, tanto a Renamo quanto a Frelimo sofram um desgaste muito menor” do que há alguns meses se pensava.
No entanto, acrescentou o mesmo perito, “o MDM e Deviz Simango são (desde a vitória dele como independente no município da Beira) o grande fenómeno político actual, que subverte as regras do jogo que os dois grandes consideravam imutáveis”.

Sobrevivência nos meios rurais

Em Abril, analistas citados pela AFP diziam que a Renamo se arriscava a perder a sua condição de segundo partido moçambicano, a favor do MDM, depois de se ter ficado por menos de um terço dos votos expressos nas legislativas de Dezembro de 2004, face aos 62 por cento da Frelimo. Só que, entretanto, a nova força só foi autorizada pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) a concorrer em quatro dos 13 círculos, o que faz uma substancial diferença.
Aliás, apesar de ter perdido terreno nos centros urbanos, durante esta última década, a Renamo continua com uma forte base de apoio em meios rurais do Centro e do Norte, afirmou ao PÚBLICO o director da revista Prestígio, de Maputo, Refinaldo Chilengue. E é precisamente nas partes central e setentrional do país que todas as forças estão a apostar, destacou João Chamusse, editor do jornal Canal de Moçambique.

Dos 250 deputados a eleger, 46 correspondem à província de Nampula e 45 à da Zambézia, as mais populosas, precisamente na zona Centro-Norte, onde a Renamo terá de dar o tudo por tudo para impedir aquilo a que chama a “frelimização da sociedade”, que se consubstanciaria se o partido do Presidente Armando Guebuza chegasse a garantir cerca de três quartos do eleitorado.
Depois de 16 anos de luta armada contra a Frelimo, de 1976 a 1992, a Renamo não se conseguiu transformar num efectivo partido político com peso suficiente para se constituir como alternativa do poder. E Dhlakama foi derrotado nas presidenciais de 1994, 1999 e 2004, pelo que no dia 28 não irá ser fácil a sua tarefa, ao ter de enfrentar tanto Guebuza como Simango, que no dizer de Chilengue está a ter grande receptividade junto das camadas jovens.

“Num processo limpo, seria difícil não haver uma segunda volta das presidenciais”, entende o director da Prestígio, que tal como Chamusse e outras fontes entende que “o sistema se encontra viciado”, não havendo a devida transparência nestas eleições, que são em simultâneo presidenciais, legislativas e para as assembleias provinciais.

Nas autárquicas de 19 de Novembro de 2008, a Renamo ficou sem o controlo de qualquer município, pelo que começou a surgir a expectativa sobre se esse desaire se iria ou não traduzir nas próximas eleições gerais, com a perspectiva de a Frelimo se tornar tão esmagadoramente preponderante quanto o MPLA o é em Angola (81,76 por cento dos votos nas legislativas de 2008), a SWAPO na Namíbia e o ANC na África do Sul.

Jorge Heitor
Editor Internacional do Jornal Publico (www.publico.pt)

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