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terça-feira, 16 de maio de 2017

MENSAGEM AOS CONGRESSISTAS (3.º Congresso Nacional da Educação)

MENSAGEM AOS CONGRESSISTAS

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo
Administrador Apostólico emérito da Diocese de Díli (1983-2002) e Prémio Nobel da Paz 1996
Pede-me Sua Excelência o Senhor Ministro da Educação da República Democrática de Timor-Leste para enviar uma breve mensagem aos participantes do 3.º Congresso do Ministério da Educação.

Antes, porém, permitam que dirija as minhas sinceras e calorosas saudações ao Senhor Ministro da Educação, Senhor Dr. António da Conceição, aos senhores vice-Ministros e aos ilustríssimos congressistas.

Como timorense, regozijo-me pelo crescimento espectacular que se tem verificado em Timor-Leste a nível da educação da juventude timorense. Desde o ano de 2002 até ao ano de 2016, que os números referentes aos estabelecimentos de ensino, ao número de alunos e alunas e ao número de professores vêm crescendo em quantidade e qualidade. Mais de 64% da população juvenil está alfabetizada, e isso, graças ao ingente esforço do Ministério da Educação em particular, e do Governo, em geral. Esperamos que daqui para a frente a política do Governo da Nação e do Ministério continue no mesmo caminho do progresso.

Da minha parte, uma vez que fui interpelado para dizer algumas palavras aos congressistas, ouso apontar três sugestões:

1.ª - A intensificação e a melhoria no ensino das línguas oficiais: Português e Tétum;
2.ª - O ensino e implementação da ciência e tecnologia;
3.ª - A implementação do ensino profissional.

1ª- O ensino das duas línguas oficiais

a) Quanto à língua portuguesa: o seu uso deveria ser obrigatória não só nas salas de aulas, mas também no pátio e no ambiente escolar. Que se criem oportunidades para os timorenses falarem, cantarem e exprimirem-se em Português em todas as circunstâncias.

b) Quanto à língua nacional Tétum: Seria aconselhável pedir ao Governo e o Parlamento a publicação de um decreto para a padronização do Tétum. Que em todo o território nacional vigore um só padrão quanto à seja um só padrão quanto à grafia e quanto à pronúncia. Eu ouso sugerir que o Tétum desenvolvido pelo Instituto da Linguística da Universidade nacional seja obrigatório para todos. E que se crie uma Academia da Língua Tétum com as seguintes funções: a preservação e pureza da língua Tétum; o acompanhamento da evolução da língua; a autoridade apara aprovar o uso de novos termos.

Sugere-se que essa Academia, criada e aprovada e reconhecida pelo Governo, seja á única instituição válida em Timor-Leste.

Que se dê maior promoção ao cultivo da literatura Tétum: tanto em prosa como em poesia. Que se dê maior apreço e valorização aos timorenses que se dedicam em estudar preservar as tradições dos antepassados: para será necessário apoiar aqueles e aquelas que se dedicam à antropologia, à etnologia, à literatura oral.

2.ª - O ensino da ciência e da tecnologia. No mundo globalizado onde os países mais avançados no campo da ciência, da técnica e da economia aparecem pioneiros do desenvolvimento, Timor-Leste terá de apostar mais no ensino mais na ciência, na inovação e nas tecnologias e ciências informáticas.

3.ª - A implementação do ensino profissional: As nações economicamente fortes apostam muito no ensino profissional, no ensino industrial e no ensino agrícola e de pescas. Sendo um país essencialmente agrícola, Timor-Leste deverá investir mais nas escolas profissionais em vista à criação de quadros aptos para o desenvolvimento físico e material do país. Não quero dizer que nada se fez neste campo. Já se faz, mas é de toda conveniência continuar a melhorar e multiplicar as escolas profissionais em todos os municípios.

Estas são apenas sugestões de um timorense que ama a sua Pátria e que deseja o máximo desenvolvimento de Timor-Leste em todos os aspectos.

Auguro a todos bom trabalho a bem da Nação e a bem dos Timorenses.

Porto, 14 de Maio de 2017.
Dom Carlos Filipe Ximenes Belo
Administrador Apostólico emérito da Diocese de Díli (1983-2002) e Prémio Nobel da Paz 1996.

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