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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Prabowo e Massacre de Kraras, Distrito de Viqueque em 1983

Livro Autografia de Eng. Mario Viegas Carrascalao
“Antes de chegarmos perto das escadas do avião, o Coronel virou-se para mim e disse: Governador, a minha carreira de militar acaba de ser sentenciada à morte em consequência desta decisão do General Benny Murdani. Respondi-lhe dizendo: Não sei porquê. Então, não foi o Coronel o iniciador deste processo de Paz? Ele sorriu e disse: Depois, virá”.

“Oito dias depois da reunião no aeroporto de Baucau, o Coronel encontrou-se comigo e disse-me: aquilo que eu mais temia já está acontecer. O processo de paz já está a acontecer. O processo de paz já está a ser sabotado pelo Capitão Prabowo Subianto, genro do Presidente Soeharto. Ele esteve em Craras. Entrou em Timor, vindo de Jacarta, e, já se foi embora, sem que me tivesse dado conhecimento dos motivos que o trouxeram cá. É que nenhum civil ou militar está autorizada a entrar neste território sem o meu conhecimento. Alguma coisa está ele a tramar”. (Livro pag.197)

Encontro Governador com General Tri Sutrisno, Chefe do Exercito da Indonésia

“Comecei por fazer ao General uma descrição pormenorizada e a mais profunda possível sobre a situação prevalecem em Timor, sugerindo-lhe depois que retirasse de Timor o Major Prabowo”.

Tri Sutrisno respondeu: “Quanto o Major Prabowo, sabe quem ele é, não é verdade? ....O batalhão de que ele é o comandante foi aquele que mais armas capturou à Resistência durante este ano; foram cerca de 100 armas e isso foi um duro golpe para os GPK, por isso, só sairá de Timor quando o batalhão 328, por ele comandado, terminar a sua missão de serviço”.

MC: ”Dito isso ficou como que à espera que eu desse alguma sinal de concordância, mas em vez disso ainda lhe contei mais uma história sobre os chamados “serviços prestados” pelo major Prabowo: Eu não sou uma testemunha ocular, Senhor General, mas alguns militares de outros Batalhões disseram-me que o Batalhão 328, comandado pelo Major Prabowo, tem armas especiais, compradas com o dinheiro da família Soeharto, e, para além disso, matam os soldados de outros batalhões para ficarem com as suas armas. É assim a forma de o fizerem: Contratam alguns timorenses para emboscarem e matarem as patrulhas de outros batalhões; as armas destes são escondidas no mato e dadas como desaparecidas pelos respectivos comandantes; os timorenses contratados apresentam-se ao Batalhão 328 e depois são acompanhados por elementos desse batalhão até ao local onde as armas ficaram escondidas; uma vez chegados ao local, esses timorenses são fuzilados pelos seus acompanhantes militares, as armas são recolhidas e relatadas ao Comando Militar como tendo sido capturado aos GPK pelo Batalhão 328”.

Continuo MC: ”Num dos casos que me foi informado, o que se passou na área do Suco de Fahi Nihan, no Distrito de Manufahi, perguntei ao Major Zein, Comandante Militar do Distrito, sobre a sua veracidade e este além de confirmar deu-me a garantia de que nada de mal aconteceria aos habitantes do Suco de Fahi Nihan que espalharam a notícia porque ele tomou as medidas de protecção necessárias”. Penso que o General conhecia a historia, pois tudo quanto fez como reacção foi dizer”.

Respondeu General Tri Sutrisno: “Governador, a guerra tem destas coisas e, por isso, temos que acabar com ela o mais rapidamente possível. Não pense que não compartilho das suas preocupações. Considero os timorenses como irmãos…”. (Livro: pags. 321 e 322).

Ficha de Leitura
Por Antonio Ramos Naikoli

Titulo: Timor antes do Futuro
Autor: Mário Carrascalão
Edição: Livraria Mauhuran
Ano: 2006

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